
Qual adicto em recuperação, busco superar o vazio da sua falta. Procuro não pensar, não lembrar, não sentir. Mas de repente, quando me encontro descuidada, acontece. As lembranças brotam, jorram, me inundam. Imagens das suas expressões invadem meu pensamento: o sorriso, o parar pensativo, o choro contido, o gozo irrefreável, o olhar carinhoso. Procuro esvaziar-me dos sentimentos que isto traz; mas a dor vem, forte, intensa, avassaladora. Então me calo, me encolho. Já consigo não chorar. Somente respiro, fundo, e tento seguir vivendo.
Crédito de imagem: Natalia Zamkovaia




