terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Engatinhando nas palavras – um exercício de balbucio



Como dizer sobre o não saber dizer? Como falar sobre o calar?

Me pego hoje olhando para dentro de mim, para tudo o que calei. Um não expressar sem fim, tão imenso e tão constante que num ápice de instalação leva a um transbordamento do mutismo.

Olho-me e vejo-me repleta de coisas, possuidora de um sem fim de preciosidades coletadas e cuidadosamente guardadas ao longo de toda uma vida. Coisas lindas, delicadas, algumas tão arduamente conquistadas e todas, sem distinção, seguindo o mesmo caminho: envelhecimento, ostracismo, depauperação.

Estou aqui, inchada, inflada, repleta do que não digo, do que não uso por não saber colocar, por não saber usar. Em que momento bloqueei a nascente? Como conseguir e permitir que tudo escoe antes que as comportas estourem?

Qual enchente de grandes proporções, mais e mais vejo se aproximar o momento do desfecho final: uma catastrófica implosão ou um desembocar tímido das minhas águas turbulentas num mar acolhedor, onde meus sentimentos , tão aterradores devido ao confinamento, possam fluir calmamente, cientes e conscientes de suas proporções.

Onde a beleza e a feiúra possam ser vistos sobre seus verdadeiros prismas, sem privilégio de um sob o outro.

Onde haja espaço para cada coisa ser exatamente o que é - criando do atual entulho um conjunto harmonioso de belas e especiais raridades vivenciais.

5 comentários:

Paulo disse...

Sua mensagem é linda e profunda. Nos obriga a uma viagem ao fundo de nós mesmos numa busca bonita e verdadeira. Obriga a lembrar que sempre é tempo de corrigir, rearranjar e construir. Redecorar a vida com peças que, amontoadas, não mostram seu real valor. Reconhecer o que temos de precioso e criar um espaço de rara beleza. Para isto é necessário ter sensibilidade para transformar tudo o que a vida nos deu, em obra de arte. Você é assim e faz assim.
Você é uma obra de arte!

Vânia disse...

..."cada coisa ser exatamente o que é"...adorei isso..!! Se eu soubesse dar o devido valor a cada coisa da minha vida, com certeza eu seria mais tranquila e caminharia com mais segurança...
Lucia, obrigada por sua visita e pela mensagem carinhosa. Adorei seu texto, voltarei sempre. Aceito e agradeço o convite para troca de endereços dos blogs. Parabéns pela coragem de deixar-se derramar. Sucesso com o blog!
Beijos da amiga, Vânia.

Jorge Alberto disse...

Fico muito contente em ver que você criou um blog para seus escritos. Serei um visitante constante.

Beijos

Etelvina disse...

Adorei seu blog. Depois lerei com mais calma.
Parabéns querida.

beijos

Rosa Xá/Lua Azul

Anônimo disse...

Ah nem sei o que dizer....esdtá ficando lindo, grande majestade... beijos
Psiiuu****