quinta-feira, 9 de julho de 2009

Canção de Amor


Olho para você.
Tão pequenino,
E tão grande em sua perfeição.
Permanece silencioso,
Envolto num sono tranqüilo.

Eu me quedo e observo.
Você é lindo, especial.
Você, meu neto amado
Amor incondicional.

Escrito por ocasião do meu neto Bruno.

Lucia Vianna

sábado, 4 de julho de 2009

H 2 O




Que resistência incrível,
E não resiste a nada.
No seu sossego,
Fica ali, parada.
O vento sopra,
Ela responde tremendo.
O sol aquece,
Ela responde chovendo.
O som lá longe,
Ela responde vibrando.
O tom agride,
Ela responde chorando.

Quando limpa,
Sacia, banha, germina.
Quando suja,
Revida, contamina.
Quando armazenada,
Faz o que lhe convém
Toma a forma exata
De seu armazém.
Quando libertada.
Qual o caminho a tomar?
Toma o que for mais fácil,
Pra que complicar?

No frio rigoroso,
Ela se tranca, dura.
Mas ao calor se entrega lânguida
Qual mulher pura.
Mulher encantadora e importante, sim!
Mulher que é dona de 75% de mim.

Poema de Milton Carvalho Cavutto
Imagem: Lago Azul – Bonito/ MS

terça-feira, 16 de junho de 2009

Alvorada



Amanheceu de repente. Os olhos, há tanto acostumados à penumbra, viram-se confusos, alternando momentos de estupefação com aquele brilho intenso da felicidade que não cabe no intimo e, portanto brilha .

Amanheceu de repente. O corpo, que por longos anos viveu escravo de lembranças, deparou-se subitamente com sua carta de alforria.

Amanheceu de repente. A alma, que navegou tortuosamente buscando qualquer local onde fosse possível lançar ancora, encontra finalmente um porto seguro.

Amanheceu. O corpo acorda lentamente, espreguiça-se quase de forma lasciva. Os olhos se abrem e deparam-se com outros olhos, de um brilho tão intenso, que lembram faróis em meio a um conturbado mar.

Amanheceu. E dia algum poderia ser mais perfeito, pleno e estonteantemente feliz.



Crédito de imagem: Genrikh

quinta-feira, 19 de março de 2009

O JULGAMENTO FINAL DO PROCESSO DE FLAVIA É NOTÍCIA EM PORTUGAL.‏

O jornal português NOTÍCIAS DA MANHÃ, publicou nesta quinta feira, um artigo sobre o julgamento final do processo de Flavia, ocorrido no último dia 03 de Março no Superior Tribunal de Justiça em Brasília.

O artigo está transcrito no atual post do blog de Flavia, mas poderá ser lido no original neste link em Portugal: NOTÍCIAS DA MANHÃ.

sábado, 14 de março de 2009

Apelo nutricional ou a Insurgencia das Lombrigas





Ele se vira devagarzinho . Algo ou alguém o acordou. Olha para o sol e o torpor que normalmente acompanha seu acordar dissipa-se de forma instantânea.
- Meu Deus! É tarde!
Suas perninhas franzinas movem-se com uma agilidade insuspeitada para qualquer um que o visse. Devagar, para não chamar atenção de ninguém, esgueira-se entre as outras crianças adormecidas . Pronto: alcançou a rua. Põe-se a correr desembestado até que, arfante, estaca frente a vitrine de uma loja. Para então, embevecido, e fica observando uma mulher que, enquanto conversa de forma natural com alguém que ele não sabe quem é, vai levando à boca uma xícara de leite, às vezes um pedaço de um lindo pão como ele nunca viu igual, ou uma fruta. Ele fica ali, olhos esbugalhados, não perdendo nada do que estava sendo mostrado. Ao fim de algum tempo, a mulher levanta-se, sai da mesa, e o pequenino segue então o seu caminho.
Chegando a esquina, vê uma mulher com uma sacola enorme. Aproxima-se e diz:
- Moça, me arruma um real? Estou com fome.
A resposta vem rápida e ríspida:
- Sai pra lá, moleque.
Sai andando devagar, os olhos dissimulados olham minuciosamente tudo ao seu redor. De repente, acha o que procurava. Aproxima-se vagarosa e dissimuladamente da banca de frutas e, a um descuido do vendedor, apanha uma delas e sai correndo. Mal ouve os gritos de “pega ladrão!” que fazem coro à sua maratona matinal. Depois de correr alucinadamente, olha para trás e vê que driblou seu perseguidor. Senta-se calmamente, então, e põe-se a comer bem devagar a deliciosa fruta, enquanto pensa, com toda a sabedoria dos seu oito anos: Aquela dona da televisão tem toda razão. Fruta é a melhor coisa no café da manhã.


Foto: Ana Castro