quinta-feira, 10 de abril de 2008

Caso Isabella – Um novo BBB???

É impossível ler ou ouvir um noticiário sem que se ouça, obrigatoriamente, alguma “novidade” a respeito da morte da menina Isabella.

Notícias do tipo: “ A família visitou um zoológico em 2004” .. seguida da já automática continuação: “ A menina Isabella Nardoni foi arremessada...”.

Fascinada que sou por ciência forense, desde o principio me chamou atenção a postura quase amadora com que supostas descobertas eram noticiadas.

Algum delegado, aproveitando seus quinze minutos de passagem pelo palco, soltava de forma fortuita uma nova descoberta, ainda sujeita a comprovação.
“ Ao que tudo indica, havia sangue na maçaneta do carro..” .

“Foi comprovado que a mancha encontrada na maçaneta não era de sangue, mas nossos peritos tiveram dificuldades para determinar o fato, devido ao tamanho da mancha, que era muito pequena”

Como??? Nem precisa ser perito forense para perceber o absurdo da afirmação. Basta assistir a qualquer episódio de CSI. Documentários sérios seriam ideais, mas alguns episódios de CSI já teriam permitido que o brilhante delegado não tivesse seu convite para a festa do céu cancelado.

E a imprensa... Ah! a imprensa. Noticia com estardalhaço cada gota de saliva que algum boçal expele.

Pai e madrasta já devidamente condenados pela opinião pública, o BBB segue, noticiando até mesmo quem se alimentou ou não.

As notícias continuam a alimentar a indignação pública e, numa manutenção do círculo vicioso, a população busca mais e mais informações.

E eu me percebo, então, perplexa, entristecida, estarrecida... furiosa!!!

Com quantas Isabellas nos deparamos no dia-a-dia, arremessadas nas sarjetas, ou nas esquinas, limpando vidros de carros ou vendendo doces?

Quantas Isabellas são diariamente agredidas, quer estejam dormindo ou não?

Será nossa omissão cotidiana que nos faz clamar justiça num caso específico? Ou simplesmente nos deixamos levar pela cobertura da mídia, que de longa data descobriu que Isabellas pobres não vendem tanto quanto as bonitas de classe média?

Triste descoberta a que se faz quando se percebe que, se teoricamente somos todos iguais perante a Lei, não o somos perante nossos próprios semelhantes.

2 comentários:

Jorge Alberto disse...

A sua avaliação é perfeita. Técnica e imparcial. Mas, como somos humanos e as vicissitudes do mundo cão alimentam nossa curiosidade. Também concordo que o estardalhaço que se faz é devido o infortúnio ter se dado em um ambiente de classe média. Infelizmente, isto será sempre assim.

Sonia Regly disse...

Excelente argumentação!!!! Esse caso vai render. Coloquei nova postagem lá no Compartilhando as Letras, apareça por lá. Beijinhos.