
Ei-la forte,ereta,parecia desafiá-la. A velha deu um suspiro. Sabia que tinha que enfrentá-la novamente. A velha necessitava fazer o almoço, seu velho contava com ela(pobrezinho, tão fraquinho) e outro suspiro.
Deu um passo. Agarrou com toda a força o corrimão,e apoiou-se na parede,resolveu descer de lado. Desceu um pé, este parecia afundar sem chegar a lugar nenhum , mas enfim chegou. Com dificuldade ela levou o outro pé nas direção do primeiro, nada aconteceu, ela se sentiu confiante .
Repetiu a operação dezenas de vezes. Estava exausta mas, oh! Ainda faltavam mais dezenas de degraus! Lembrou-se do neto que vinha sempre correndo e pulando nessa assombração,talvez fosse para amedrontá-la.
Desceu mais dois degraus lembrou-se que ela deu a idéia do segundo andar; ela era culpada de sua própria desgraça,por colocarem aquilo em seu caminho! Um aperto de raiva e dor afligiu- lhe o coração,mas para espantar maus pensamentos pensou: ”podiam ter posto uma rampa”, mas logo retirou o que disse. E se ela caísse de uma rampa, sairia rolando o que seria vergonhoso e doloroso.
Suas costas estavam latejando, o suor escorria de seu rosto, estava a ponto de desistir quando por Deus o suplício acabou! Ela respirou aliviada. Pegou seu lenço e...Onde ele estava? Quase desmaiando a velha percebeu que na pressa de descer esquecera seu lenço na prateleira. E assim o suplício teve que recomeçar...
O texto acima é de autoria de Alice Maria de Figueiredo Souza.
Ela tem 12 anos e o escreveu por ocasião da doença de seu avô, que mesmo movendo-se com dificuldade e dor, nunca deixou de andar.
Crédito de imagem: Olev Andreev