quinta-feira, 26 de junho de 2008

Sem condutor



Meu peito é habitado por uma imensidão de sentimentos. São tantos, e tão intensos, que as vezes, confesso, não sei o que fazer com eles. Em determinados dias, como hoje, me vejo refém da minha própria limitação. Busco palavras para traduzi-los; não as acho. Então permanece a incomoda sensação de algo que deseja, que precisa sair aqui de dentro, mas que não encontra veículo para ser conduzido para fora. E me debato; vasculho meu dicionário emocional. Nada!!! Tenho as definições, mas não sei onde estão as palavras que as antecedem.

E sinto. E sofro por não conseguir alforriar-me de meus sentimentos.

Crédito de imagem: Ilya Shubin

15 comentários:

Etelvina de Oliveira disse...

Lu,
Eita, eita, eita!
Estamos num mesmo momento em nossas vidas.
Será essa a sindrome dos pós 40?
Querida, estou fascinada comigo mesmo, nunca fui tão confusa e reveladora.
Os sentimentos têm jorrado como cataratas de águas limpas.
O que você e eu temos que fazer é aprender, com calma, como nadar em cachoeira.

um beijo

Lucia disse...

Etel:

O meu problema nem é sindrome pós 40. É que sou atrevida demais, sabe? rs. Quero experimentar todos os estilos de natação, quero nadar em mar, em rio, em cachoeira. Aí, óbvio, fica mais do que difícil dar conta de tantas emoções. No entanto, acho que nunca me senti mais viva do que agora e, por isso mesmo, me sinto feliz até quando não estou feliz..rs.
Beijos

Rosani Nauar disse...

Olá! Lucia

Lindo demais... fazer texo é isso - tocar o coração de quem a lê...e refletir, e vc menina tem esse dom lindo, Parabéns!!


beijos,

Anônimo disse...

Lucia,
Ao ler seus textos, ao conversar com você, quando recebo seus e-mails sinto "exatamente" o quê você diz acima para Etel: que se sente tão viva, que mesmo quando não está feliz, se sente feliz.

Seus escritos "Sem condutor"; "Sobre voar"; "Decepção"; "Gotas da felicidade"; "Sobre orfandade"; "Empoçada"... são tão corajosos, tão honestos, tão cheios de ternura, de liberdade.

Passa o tempo e te gosto mais... é claro que perceber seu crescimento, sua suavidade, sua abertura... influencia muito este amor;
Mas pessoas como você, como minha irmã, situações que vivenciei nos últimos tempos, as terapias... me ensinaram que nem sempre as pessoas e situações estão em crescimento, são suaves e abertas, mas não deixamos de viver ou amar por isso. E eu te amo muito.

Ainda não respondi sua postagem sobre a amizade, onde cita meu nome, o que me deixa honrada grandemente, tanto quanto os elogios que me fez na postagem de seu aniversário.

Agora temos nos comunicado mais, mas nunca perdemos os vínculos, os laços. Que bom ter me escolhido como uma de suas amigas irmãs. Isso faz toda a diferença em minha vida.

Fui amadurecendo... e também fui percebendo que além das pessoas não serem perfeitas... poucas têm a habilidade genuína para amizade; Observo, com certa frustração às vezes, que muitas pessoas mantém uma diplomacia quase hipócrita, mas se ausentam covardemente quando precisamos.

É neste contexto que lhe confidencio que amigos de jornada... talvez todos tenhamos poucos, mas lhe sinto com uma amiga. Percebo que posso contar com você e em todos os momentos em que "precisei" você não apenas se fez presente, como se fez de uma maneira inteira, doando o melhor de si.

Sobre o momento que parece viver... de sentimentos... de angústia... de não saberes... de limitação - é esta a palavra que usa; Às vezes eles são tão penosos, mas geralmente são muito enriquecedores... e você sabe disso, tanto que os "transforma" nestes encantadores materiais.

Tenha uma ótima sexta,
beijão.

Thereza.

Anônimo disse...

Meu Deus... estava relendo o que escrevi... mas como estou séria!!! Rsrsrs.

Beijos beijinhos,

Thereza.

Catarina disse...

Querida Lucia.

É meio longo, mas não teve como ler esta sua poesia e não lembrar de outra tambem busco nos meus momentos de maior inquietude.

Linda de corpo e alma...

A composição a seguir é de Oswaldo Montenegro e se chama Metade.

Com carinho de sua amiga Catarina.

E que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
E a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
E que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso
Mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
E que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é a platéia
A outra metade é a canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Lucia disse...

Rosani:
Fazer texto é escrever.. mas se escrevemos e pessoas que não tem coração para ser tocado, ou sensibilidade para entender o que escrevemos os lêem, de nada vale. Escrever sem eco é o mesmo que ficar mudo, atado. Se você foi tocada, é porque é possuidora da materia prima necessária para isso.
Beijos

Maripa disse...

É bom estar aqui,faz-me bem vir aqui! Ler e sentir os seus textos (e até as suas palavras a quem comenta)emociona-me sempre. Estou,também,sem palavras para me exprimir.

Obrigada,por me fazer senti-la assim tão real.

Beijo carinhoso,querida.

Lucia disse...

Thereza:

Nem sei o que te dizer.Talvez a única coisa que possa fazer é agradecer: pelas palavras, pela oportunidade de me deixar partilhar seus momentos, seus sentimentos e sua vida. Eu também te amo muito.
Um beijo muito, muito grande. Dê um beijo enorme no Llipe, também.

Lucia disse...

Catarina:

Essa música do Oswaldo Montenegro é belissima. Acho que serve como uma luva para todas as situações de inquietude, para todos os momentos em que nos vemos divididos, observando os diversos contornos possiveis a partir dos sentimentos que brotam dentro de nós. Sabe, por mais difícil que seja, muitas vezes, romper com uma situação que sentimos que não cabe mais em nós, fazer isso exige coragem, determinação e capacidade de suportar as dores do rompimento.
Você possui esta força. E, para o caso de precisar, tem uma amiga aqui, meio capenga, é fato, mas ainda assim disposta a ajudar.
Beijos

Lucia disse...

Maripa:

É bom saber que gosta tanto de vir aqui quanto eu de ir a "sua casa".
Você também consegue tornar o seu espaço algo muito especial. Talvez a proximidade do mar, algo pelo que tenho fascinio, me faça gostar dele de forma ainda mais especial.
Penso, na verdade, que dois fatores
se juntaram para criar essa coisa mágica que é estar lá: sua impressionante sensilidade e o cheiro delicioso da maresia.
Um beijo muito grande para você.

Graciene disse...

Sentimentos são emoções e não devem ser aprisionados, eles têm vida e devem respirar. Fazer o sentimento respirar é deixar fluir, deixar passar, não inibir nem censurar. Ele passa...

O Sibarita disse...

Dona moça, é! kkkk

Você ta retada mesmo, o seu texto é maravilhoso e como tudo que é maravilhoso é revelador... Ai Deus!

Sem você perceber ai está o inicio da sua alforria, claro que sim, para mim houve um veículo o texto, só que você presa ao consciente não deixou aflorar, se segurou quando o inconsciente queria colocar para fora, resultado: caiu no vazio conflitivo...

-Oxém, qual é o seu caso falando sério assim?
-Eu???
-Você mesmo seu Sibarita!
-Tá, agora, foi que deu! kkk Não posso falar sério não, é?
-Mas, você não é de colocar as manguinhas de fora, seu negócio é levar na gozação, na brincadeira e ai?
-Vê se pode? kkkk
-Até pode, mas, vou descobrir qual é a sua, ora se vou... rsrsrs.
-Xiiiiiiii... Oxente! Largue meu pé, meu véio! Qual é o seu caso pergunto eu! kkkkkkkkkkk Fui... kkkk
Valha-me Deus! kkkkk

bjs
O Sibarita

Lucia disse...

Graciene:

Acho que ao longo dos anos eu fui entupindo meus poros, protegendo-me
ou, pelo menos, achando que o fazia. Hoje o movimento é contrário: estou num processo de raspagem, de desobstrução. Nos locais onde a camada é mais fina, os sentimentos já fluem mais intensamente; nos outros, ainda sentem uma certa dificuldade. No entanto, como o processo é constante, penso que daqui a um tempo estarei jorrando por inteira..rs
Beijos, menina

Lucia disse...

Sibarita:

Deu para falar sério, foi? rs Mas olha, pouca gente fala tão sério brincando quanto você. Você tem profundidade, moço.. a brincadeira é só coisa de baiano retado. Aliás, você brinca com as palavras,
aparentemente até brinca com os "sentires". Mas suas brincadeiras deixam antever um imenso lado humano, uma preocupação genuina, uma delicadeza no sentir que não podem ser ignorados.
Valha-me Deus, seu moço! Viu o que fez? Agora fui eu que danei a falar sério. Isso pega..rssss

Beijos