quinta-feira, 26 de junho de 2008

Sobre voar





Olho pela janela. O céu tem uma cor pálida; o sol, encoberto, é somente pressentido. Venta muito. Faz frio. Fico parada olhando um incauto passarinho que, a despeito da pouca receptividade do espaço circundante, teima em descrever círculos mais e mais abrangentes.

Fixo o olhar na dança solitária, nas asas que executam um balé sincronizado. Esqueço o tempo; meus olhos param e ficam presos no vai e vem constante, nos mergulhos feitos no vazio, no movimento cadenciado que o leva novamente para cima.

Sobe desce sobe desce.

Para onde vai? Por que vai? Imagino que careça de destino certo. Que simplesmente bata as asas e se deixe levar. Planando. Sobrevoando destinos. Executando o que lhe cabe , sem questionar. Exercitando sua condição de pássaro, de quem não se espera nada além da aceitação do espaço circundante. Do frio. Do vento que venta demais. Do sol encoberto e apenas pressentido. Do céu de cor pálida. Da vida vista através da janela.

Crédito de imagem: Nikola Petrovski

8 comentários:

Etelvina de Oliveira disse...

Lú,

Quem me derá ter esse seu dom maravilhoso de observar com calma e paciência.
Uma vez me disseram que você é uma pessoa maravilhosa. Estou tendo a oportunidade de comprovar isso.
Obrigada.

Sabe, tenho sido como esse pássaro
que simplesmente bate as asas e se deixe levar. Planando. Sobrevoando destinos. Executando o que lhe cabe, sem questionar. Exercitando minha condição de pássaro, de quem não se espera nada além da aceitação do espaço circundante.
Com sua ajuda agora ja estou me questionando para saber para onde vou. Por quê vou.
E estou procurando descobrir o meu destino.

beijos querida
continue sendo essa amiga especial
que só você sabe ser

Lucia disse...

Etel:

Observar não é dom, é aprendizado.
Se prestar bem atenção (rs) vai ver
que você mesma está fazendo isso, mais e mais. Quando deixa de voar ao sabor do vento e começa a pensar sobre onde quer chegar, está observando. Não se chega a lugar algum sem "se olhar", e isso é algo que você vem fazendo, e que está se refletindo em tudo a sua volta: basta, por exemplo, ver seus textos. Aliás, o cavalheiro do metrô era bonito?? rsrs
Beijos, garota

O Sibarita disse...

Pois é, né fia? O exercicio da paciência nos faz levitar e ver coisas além do olhar...

E agora José, ou seria, João? kkkk Para onde vou?

Abrindo a janela a visão é ciclope de um novo tempo e horizonte, aí fia, eu viajo na maionese e vou sim em pensamento... kkkkkkk

Belo texto como sempre!

bjs
O Sibarita

Sonia Regly disse...

Lúcia,
Querida amiga, vc está se superando, a cada dia os textos têm crescido e melhorado bastante. Já pode publicar um livro, eu compro!!!!às vezes somos igual passarinhos, deixamos o vento, as situações, a vida nos levar. Mil beijinhos.

Lucia disse...

Sibarita:

Estou buscando esse olhar, sabe? O que não se prende ao que está explícito, o que mergulha na fantasia, na alegria e nos dissabores. Busco o olhar além da casca. E, se nada mais puder dizer de mim, um dia, espero pelo menos poder dizer isso: Eu vi!
Beijos, meu amigo

Lucia disse...

Sonia:
Obrigada, agradeço muito pelo incentivo. Mas livro é coisa muito séria..rs. Por enquanto ainda estou voando sobre letrinhas, colecionando-as. Quem sabe um dia. Se acontecer, conto que compre mesmo o livro..rs.
Beijos

Etelvina de Oliveira disse...

Lu,
Pior que nem era um cavalheiro legitimo, era um amigo meu de serviço que, por sinal, iria descer na próxima estação. kkkkkk
Fazer o quê: se não tem tu, vai tu mesmo.


beijo

Lucia disse...

Etel:

Uai..E amigo de serviço não pode ser cavalheiro legitimo? Presta atenção..rss.
Beijos